Malamor
Malas são feitas e desfeitas. Num átimo. O menor dos problemas, num mundo cheio deles. Mesmo as feias malas, surradas como o capote de Gogol, mesmo elas querem sempre partir, mas também não se incomodam de ficar, ficam sem problemas, se assim lhes for ordenado por um não-viajante de coração frustrado. Mas o sofrer é para esses corações algo tão seu como o céu foi, ou deveria ter sido, um dia, do condor. Ainda será um dia? “Será que ele não quer se libertar?” A mala encardida estava no chão, foi feita lá mesmo, temperada com poeira de livros, e lá ficou. Não foi. Não viajo. Não agora. A sofrida voz dele me disse que ainda não é chegada a hora, e que, talvez, pior, essa hora nem venha, não chegue pra depois não ter que ir embora – e por isso eu nem posso mais tentar fazer a hora. Caminhando, no quarto, não canto, e não sei se espero acontecer. “A noite é uma grande demora”, mas eu ia mesmo assim, Riobaldo, mesmo à noite, mesmo que demorasse. Quilômetros se vencem em horas, com uma ...
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