A chuva do nosso tempo
Antônio Blumkin
Não é chuva de verão, tampouco se assemelha à chuva de frente fria. Não é célere e arrasadora, e nem traz consigo frio. É só chuva, pura. Inadjetivada. Incontinente. Ela não impede quase nada, porque não tem quase nada pra impedir mesmo - impedidos que estamos. Até ela aderiu à resignação dos tempos. Chove por chover, por falta do que fazer. Não espera nada de nada. E a gente não faz nada, salvo acompanhar tragédias climáticas e virais nos telejornais. "Quem lê tanta notícia?". Acontecimentos sem história, personagens sem trama, variantes num mundo que se recusa a assumir qualquer variação. Terceira dose, mais um dose, bebemos. E chove. "É o início do fim, ou é o fim". Ou é só chuva mesmo.
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